23 de out de 2006




Foi este o sábado do poço profundo, não aquela breve melancolia dos dias comuns. Sinto o gosto de sangue na boca: ainda me espanto com desconsideração, insensibilidade, maldade.
Participo de olhos arregalados - confesso - deste carnaval sem música.
Percebam: o silêncio, o silêncio, o veneno, depois um grito para acordar a si mesmo.
Perigo de vida das esquinas tuas. As ruas lotadas do teu corpo.
Errei de endereço, experimentei, na carne, o desprezo.


Foi a ferida impaciente das palavras ou o mesmo erro (duplamente) escolhido. Por vezes não há opção clara, há uma intenção singular, verdadeira, misturada ao amor. Em troca: lições disfarçadas de nudez colorida. Ao alcance das mãos, a cena da loucura que te surpreende, te deixa mudo, nauseado, paralisado, mórbido. Mais tarde te permitirá ver a própria alma em sintonia com o que é sagrado. A própria bondade, o teu amor sério e vivo, inabalável.
Depois da dor, do pesadelo, da máscara que cai, uma leveza conquistada.
Leveza de pele, de corpo, de vida.


As melhores lições são estas do deserto árido ou do inferno vermelho em que você é capaz de pisar, na casa alheia, por puro convite aceito.
Não uso armas, justamente porque fui treinada para matar.



A imagem é do meu amigo fotógrafo Adelmo Santos - Exposição: Alma das Máscaras

http://www.flickr.com/photos/adelmosantos/65924779/in/set-1553435/

http://www.adelmosantos.com/#


Escrito por Leila Andrade 5:24 PM

 
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